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EDUCAÇÃO MUSICAL E DIFERENÇAS CULTURAIS​

O mundo é um lugar plural. As pessoas têm diferentes raças, etnias, gêneros, origens, saberes, religiões...tanta coisa! Somos todas(os) humanas(os), mas somos, ao mesmo tempo, tão diferentes!

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As diferenças, em si, são positivas, é algo a ser celebrado. O problema a ser combatido são as desigualdades que vem atreladas às diferenças. Isso porque, de tão diferentes que somos, até o poder circula por nossas mãos de forma diferentes. Uns têm tanto, enquanto outros, tão pouco. Em geral, grupos sociais que têm mais poder tendem a dominar e oprimir outros grupos. Muitas vezes, essas elites impõem a sua cultura para outros, como se os seus saberes fossem superiores aos demais.

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Na Música, isso não ocorre de forma diferente. Algumas músicas são muito valorizadas, como se fossem superiores, enquanto outras são apagadas e esquecidas. Por exemplo, a música "clássica" europeia é vista como superior e mais importante do que a música africana ou a música dos povos indígenas.

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Semelhantemente, questões relacionadas à raça, ao gênero, à etnia, à sexualidade e à religiosidade também afetam as dinâmicas do ensino de Música. Sabe-se que pessoas negras são mais bem aceita em certas formações musicais do que outras (VANDWEELDEN; McGEE, 2007). Semelhantemente, meninas e mulheres podem sofrer preconceitos ao, por exemplo, escolherem estudar um instrumento "masculino" (ALMQVIST; HENTSCHEL, 2019). As musicalidades afro-brasileira e indígena, apesar da Lei 11.645/2008, que impõe estes conteúdos como obrigatórios, ainda encontram pouco espaço nos currículos de Música (SANTIAGO; IVENICKI, 2017). Não obstante, pessoas LGBT+ também sofrem preconceito nas escolas, inclusive, em aulas de Música (PALKKI; CALDWELL, 2018). Por fim, percebe-se que a cultura e musicalidade afro-brasileira, de forma geral, não são bem-aceitas em aulas de Música (SOUZA, 2015).

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Nesse sentido, uma educação musical multicultural e decolonial irá buscar 1) repensar as relações de poder que são criadas e/ou reproduzidas em aulas de Música; 2) valorizar todos os gêneros musicais, principalmente aqueles produzidos por identidades subalternas; 3) combater todos os tipos de preconceitos e discriminações, bem como buscar alternativas para evitá-los, de forma antecipada; isso tudo sem desprezar o ensino de conteúdos musicais.

   

Espera-se que o presente portal ajude nesse sentido!​

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Referências 

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ALMQVIST, Cecilia Ferm; HENTSCHEL; Linn. The (female) situated musical body: aspects of caring”. Per Musi, n. 39, Music and Gender: 1-16, 2019.

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ARÓSTEGUI, José Luis. Por un currículo contrahegemónico: de la educación musical a la música educativa. Revista da ABEM, Londrina, v.19, n.25, 9-29 jan.jun 2011

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PALKKI, J., CALDWELL, P.  “We are often invisible”: A survey on safe space for LGBTQ students in secondary school choral programs. Research Studies in Music Education, 40(1), 28–49, 2018.

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SANTIAGO, Renan; IVENICKI, Ana. Diversidade musical e formação de professores(as): qual música forma o(a) professor(a) de música? Rev. FAEEBA – Ed. e Contemp., Salvador, v. 26, n. 48, p. 187-204, jan./abr. 2017

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SOUZA, Rafael Ferreira de. "Macumba é coisa do demônio, tio!": Discutindo relações de preconceito da aula de Música. Revista Interinstitucional Artes de Educar. Rio de Janeiro, V. 1 N. 2 – pp. 263-276, jun - set 2015

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VANDWEELDEN, Kimberly; McGEE, Isaiah R. The influence of music style and conductor race on perceptions of ensemble and conductor performance. International Journal of Music Education Copyright © 2007 International Society for Music Education Vol 25(1) 7–19, 2007

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